quinta-feira, 29 de maio de 2014

Falando em azar, sabe qual foi o seu? Ter filhos que, quando aprenderam a perguntar "por quê?", não pararam mais, disse o caçula sem vergonha de não ser modesto.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Que venha doce pra gente se bagunçar ao vento. roubando os sussurros de sua ação, o beijo na flor, o roçar na grama, o toque no mar. Que venha sorrindo que nem malababarista, tomando toda minha atenção, meus olhos, minha canção. Que me venha fazer um cansaço, no laço, retrato a dois apertado.
Te espero, meu coração. Champagne na mão. Rèveillon sem fim. Os fogos são seus, mas queimando em mim.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

assim, não sei se existe alguma história com apenas uma versão. talvez é possível, não sei. não sei mesmo. o fato é que uma história, quando envolve várias pessoas, deve ter mais de uma versão, não é? não é possível que não tenha. aí a pessoa fica sabendo de uma versão de um grupo afim. aí ela nem quer saber da outra versão do outro grupo afim. aí a pessoa que nem cogitou haver o outro lado passa a ser hostil com esse mesmo outro lado. aí você ainda espera que a pessoa venha conhecer a outra dimensão através da fonte gênese. aí a pessoa não vem. o que fazer numa hora dessas? quebrar a ordem, ou seja, ir atrás (quando não era você que deveria ir) ou deixar o tempo dela vencer bem vencido, tipo presunto três dias fora da geladeira? será que não percebem o tamanho da descompostura?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eu me boto pra correr toda noite, sem sair do lugar. Aí não durmo. Aí passo o dia estraçalhado. A paciência fica curta, e o mundo passa a ser uma merda só; aceitável, mas fedido.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A necessidade

Saudade é pouco. Sinto é necessidade. Saudade a gente guarda, deixa pro coração pegar, bater em descompasso se precisar. Necessidade é o corpo que chama, que é chama; o corpo todo. Se pensar bem, existe um ponto onde necessidade e saudade se conjugam: é a alma carente. Queria minha alma tanto a sua, mas tanto, que ela até chora de arder. Chora escondida, à noite, na cama, dando-lhe um "boa noite" insonoro, um "eu te amo" inaudível, um abraço apertado e não sentido, esperando um retorno com carinho no meu peito - não precisa mais que isso. Chora e dorme com lembranças suas, dos seus detalhes, sentindo tudo que não está ali, enquanto você sonha com o sertão de Pernambuco, lá do outro lado da cidade - e tem um sertão todo bem aqui, sedento. 
Sabe, dói de verdade esse amor que a gente tem pra dar.



“Quando cresci foi o reverso. De consolador que fui, quero agora ser consolado. Sou eu, agora, quem precisa de carinho da mão que cura. Nem que seja preciso sofrer antes; não precisa ser muito, mas o suficiente para que o consolo depois me inunde o peito como chuva caindo na terra seca. Amo quem me assopra as feridas ainda que, para isso, tenha que me ferir antes, tenha que quebrar as pontas de minhas asas. É desse amor de consolo que meu corpo trêmulo precisa.” ( Do livro “O Fantasma de Luis Buñuel”, de Maria José Silveira).

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time has gone, the song is over,
thought I'd something more to say"