“Quando cresci foi o reverso. De consolador que fui, quero
agora ser consolado. Sou eu, agora, quem precisa de carinho da mão que cura.
Nem que seja preciso sofrer antes; não precisa ser muito, mas o suficiente para
que o consolo depois me inunde o peito como chuva caindo na terra seca. Amo
quem me assopra as feridas ainda que, para isso, tenha que me ferir antes, tenha
que quebrar as pontas de minhas asas. É desse amor de consolo que meu corpo
trêmulo precisa.” ( Do livro “O Fantasma de Luis Buñuel”, de Maria José
Silveira).
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