Foi um amigo quem disse
Entre uma cerveja e outra
Entre o trago e o cinzeiro
Entre saias e colos -
das que chegavam sorrindo esperanças,
das que saíam chorando desencontros -
Que eu, livre em cativeiro,
ando varzeando por aí.
Nem interroguei.
- É poético! Falei.
E danei a pensar
Até o amor perguntar
- É cultivar chão! Respondi.
Disse que foi a melhor coisa que ouviu naquele dia
Eu vivi.
Desde então, varzeio
No sertão do Cerrado, no mar de Natal
Da minha casa até Portugal
Varzeio no sal
E no coração que suspira em mim
sem a minha posse
que tosse
lembranças apenas sonhadas
na esperança de serem lavadas
do homem desfigurado-
poeta inacabado.
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