Saudade é pouco. Sinto é necessidade. Saudade a gente guarda, deixa pro coração pegar, bater em descompasso se precisar. Necessidade é o corpo que chama, que é chama; o corpo todo. Se pensar bem, existe um ponto onde necessidade e saudade se conjugam: é a alma carente. Queria minha alma tanto a sua, mas tanto, que ela até chora de arder. Chora escondida, à noite, na cama, dando-lhe um "boa noite" insonoro, um "eu te amo" inaudível, um abraço apertado e não sentido, esperando um retorno com carinho no meu peito - não precisa mais que isso. Chora e dorme com lembranças suas, dos seus detalhes, sentindo tudo que não está ali, enquanto você sonha com o sertão de Pernambuco, lá do outro lado da cidade - e tem um sertão todo bem aqui, sedento.
Sabe, dói de verdade esse amor que a gente tem pra dar.
Sabe, dói de verdade esse amor que a gente tem pra dar.