sexta-feira, 27 de julho de 2012

A necessidade

Saudade é pouco. Sinto é necessidade. Saudade a gente guarda, deixa pro coração pegar, bater em descompasso se precisar. Necessidade é o corpo que chama, que é chama; o corpo todo. Se pensar bem, existe um ponto onde necessidade e saudade se conjugam: é a alma carente. Queria minha alma tanto a sua, mas tanto, que ela até chora de arder. Chora escondida, à noite, na cama, dando-lhe um "boa noite" insonoro, um "eu te amo" inaudível, um abraço apertado e não sentido, esperando um retorno com carinho no meu peito - não precisa mais que isso. Chora e dorme com lembranças suas, dos seus detalhes, sentindo tudo que não está ali, enquanto você sonha com o sertão de Pernambuco, lá do outro lado da cidade - e tem um sertão todo bem aqui, sedento. 
Sabe, dói de verdade esse amor que a gente tem pra dar.



“Quando cresci foi o reverso. De consolador que fui, quero agora ser consolado. Sou eu, agora, quem precisa de carinho da mão que cura. Nem que seja preciso sofrer antes; não precisa ser muito, mas o suficiente para que o consolo depois me inunde o peito como chuva caindo na terra seca. Amo quem me assopra as feridas ainda que, para isso, tenha que me ferir antes, tenha que quebrar as pontas de minhas asas. É desse amor de consolo que meu corpo trêmulo precisa.” ( Do livro “O Fantasma de Luis Buñuel”, de Maria José Silveira).

quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time has gone, the song is over,
thought I'd something more to say"



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Eu varzeio

Foi um amigo quem disse
Entre uma cerveja e outra
Entre o trago e o cinzeiro
Entre saias e colos - 
das que chegavam sorrindo esperanças,
das que saíam chorando desencontros -
Que eu, livre em cativeiro,
ando varzeando por aí.


Nem interroguei.
- É poético! Falei.
E danei a pensar
Até o amor perguntar
- É cultivar chão! Respondi.
Disse que foi a melhor coisa que ouviu naquele dia
Eu vivi.


Desde então, varzeio
No sertão do Cerrado, no mar de Natal
Da minha casa até Portugal
Varzeio no sal
E no coração que suspira em mim
sem a minha posse
que tosse
lembranças apenas sonhadas
na esperança de serem lavadas
do homem desfigurado-
poeta inacabado.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

contudo, tudo se
contorna ou torna
liquidação. ação
equivalente é ser valente -
tramando ou amando.